sexta-feira, 24 de abril de 2026

Concerto 25 de Abril de 2026 - Canções e poemas

Maria Teresa Horta

Não me exijam que diga o que não digo

Não queiram que escreva o meu
avesso...

Mafalda Sofia Gomes

…Esperar que a broa cresça sem
crescente

Não é coisa de boa gente


Labuta

Oh meu amor se me queres amar
Se me queres amar
Labuta
Oh meu amor se me queres amar
Se me queres amar
Labuta

Nada na vida se alcança sem dar sentido e amor à luta
Nada na vida se alcança sem dar sentido e amor à luta

E quando o amor aparece firme
Aparece firme
Eu espero
E quando o amor aparece firme
Aparece firme
Eu espero

Que nunca faças sentir-me, sentir-me fraco é como eu não quero
Que nunca faças sentir-me, sentir-me fraco é como eu não quero

Oh meu amor se me queres amar
Se me queres amar
Labuta
Oh meu amor se me queres amar
Se me queres amar
Labuta

Nada na vida se alcança 
sem dar sentido e amor à luta

E quando o amor aparece livre
Aparece livre
Eu espero

Criatura e Coro dos Anjos


Adeus ó serra da Lapa

Adeus ó serra da Lapa
Adeus que te vou deixar
O minha terra ó minha enxada
Nao faço gosto em voltar
Companheiros de aventura
Vinde comigo viajar
A noite é negra a vida é dura
Nao faço gosto em voltar
Dou-te o meu lenço bordado
Quando de ti me apartar
Eu quero ir ao outro lado
Nao faço gosto em voltar
O meu dinheiro contado
É para quem me levar
O meu caminho está traçado
Nao faço gosto em voltar
Moirar a terra insegura?
Fugir da serra e do mar?
Meus companheiros de aventura
Tudo farei para salvar

José Afonso


Portugal

Ó Portugal, se fosses só três sílabas,
linda vista para o mar,
Minho verde, Algarve de cal,
jerico rapando o espinhaço da terra,
surdo e miudinho,
moinho a braços com um vento
testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,
se fosses só o sal, o sol, o sul,
o ladino pardal,
o manso boi coloquial,

a rechinante sardinha,
a desancada varina,
o plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos,
a muda queixa amendoada
duns olhos pestanítidos,
se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,
o ferrugento cão asmático das praias,
o grilo engaiolado, a grila no lábio,
o calendário na parede, o emblema na lapela,
ó Portugal, se fosses só três sílabas
de plástico, que era mais barato!

 Alexandre O'Neill


Grão da mesma mó

Não sei se estão a ver aqueles dias
Em que não acontece nada sem ser o que aconteceu e o que não aconteceu
E do nada há uma luz que se acende
Não se sabe se vem de fora ou se vem de dentro
Apareceu

E dentro da porção da tua vida, é a ti
Que cabe o não trocar nenhum futuro pelo presente
O fazer face a face que se teve até ali
Ausente, presente

Vê lá o que fazes, há tanto a fazer
Fazes que fazes ou pões sementes a crescer?
Precisas de água
Terra também
Ventos cruzados e o sol e a chuva que os detém
Vivida a planta
Refeita a casa
É o espaço em branco
Tempo de o escrever e abrir asa
E a linha funda, na palma da mão
Desenha o tempo então
Desenha o tempo então

Mas há linhas de água que cruzas sem sequer notares
E oh, estás no deserto
E talvez no oásis, se o olhares
E não há mal, e não há bem
Que não te venha incomodar
Vale esse valor?
É para vender ou comprar?

Mas hoje questões éticas?
Agora?
Por favor
Que te iam prescrever
A tal receita para a dor
Vais ter que reciclar
O muito frio e o muito quente
Ausente
Presente

Vê lá o que fazes, há tanto a fazer
Fazes que fazes
Ou pões sementes a crescer?
E a linha funda, na palma da mão
Desenha o tempo então
Desenha o tempo então

Um curto espaço de tempo
Vais preenchê-lo
Com o frio da morte morrida
Ou o calor da vida vivida?
Não queiras ser nem um exemplo
Nem um mau exemplo
Por si só
Há dias em que é grão da mesma mó

E a senha já tirada
Já tardia do doente
Dez lugares atrás
E pouco a pouco à frente
E cada um falar-te das histórias da sua vida
Feliz, dorida

Vê lá o que fazes
Há tanto a fazer
Fazes que fazes
Ou pões sementes a crescer?
Precisas de água
Terra também
Ventos cruzados
E o sol e a chuva que os detém
Vivida a planta
Refeita a casa
E espaço em branco
Tempo de o escrever e abrir asa
E a linha funda, na palma da mão
Desenha o tempo então
Desenha o tempo então

E explicaram-te em botânica
Uma espécie que não muda a flor do fatalismo
Está feito
E se até dá jeito alterar
Só por hoje o amanhã
Melhor é transfigurar o amanhã com todo o hoje
E as palavras tornam-se esparsas
Assumes
Fazes que disfarças
Escolhes paixões
Ciúmes
Tragédias e farsas
E faças o que faças
Por vales e cumes
Encontras-te a sós, só
Grão a grão
Acompanhado e só
Grão da mesma mó
Grão da mesma mó
Grão da mesma mó
Grão da mesma mó

Sérgio Godinho


Canção a Zé Mário Branco


Há quem seja comum
Há quem não tenha assunto
Há quem traga mais um
Há quem traga um conjunto
Porque a força que traz
Tem o povo na frente
E ser um dos que faz
Resistência à corrente
Derramar na canção
O que dói no país
Ser a revolução
Ser a boca que diz:
Que caminho tão longo
Que viagem tão comprida
Que deserto tão grande
Sem fronteira nem medida
Que caminho tão longo
Que viagem tão comprida
Que deserto tão grande
Liberdade, querida Liberdade
O nosso chão tem sonhos e vontade
Há quem seja comum
Há quem não tenha assunto
Há quem traga mais um
Há quem traga um conjunto
Porque a força que traz
Tem o povo na frente
E ser um dos que faz
Resistência à corrente
Derramar na canção
O que dói no país
Ser a revolução
Ser a boca que diz:
Que caminho tão longo
Que viagem tão comprida
Que deserto tão grande
Sem fronteira nem medida
Que caminho tão longo
Que viagem tão comprida
Que deserto tão grande
Liberdade, querida Liberdade
O nosso chão tem sonhos e vontade

Garota Não




25 de Abril

Esta é a madrugada que eu esperava
o dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner


Lembra—me um sonho lindo

Lembra—me um sonho lindo
Quase acabado
Lembra—me um céu aberto
Outro fechado
Estala—me a veia em sangue
Estrangulada
Estoira num peito um grito
À desfilada
Canta rouxinol canta
Não me dês penas
Cresce girassol cresce
Entre açucenas
Afaga—me o corpo todo
Se te pertenço
Rasga—me o vento ardendo
Em fumos de incenso
Lembra—me um sonho lindo
Quase acabado
Lembra—me um céu aberto
Outro fechado
Estala—me a veia em sangue
Estrangulada
Estoira num peito um grito
À desfilada
Ai como eu te quero
Ai de madrugada
Ai alma da terra
Ai linda, assim deitada
Ai como eu te amo
Ai tão sossegada
Ai beijo—te o corpo
Ai seara, tão desejada
Canta rouxinol canta
Não me dês penas
Cresce girassol cresce
Entre açucenas
Afaga—me o corpo todo
Se te pertenço
Rasga—me o vento ardendo
Em fumos de incenso
Ai como eu te quero
Ai na madrugada
Ai alma da terra
Ai linda assim deitada
Ai como eu te amo
Ai tão sossegada
Ai beijo—te o corpo
Ai seara, tão desejada
Ai como eu te quero
Ai na madrugada
Ai alma da terra
Ai linda assim deitada
Ai como eu te amo
Ai tão sossegada
Ai beijo—te o corpo
Ai seara, tão desejada
Ai como eu te quero
Ai na madrugada
Ai alma da terra
Ai linda assim deitada
Ai como eu te amo
Ai tão sossegada
Ai beijo—te o corpo
Ai seara, tão desejada
Ai como eu te quero
Ai na madrugada
Ai alma da terra
Ai linda assim deitada

Fausto Bordalo Dias


Como la Cigarra

Tantas veces me mataron, tantas veces me morí
Sin embargo, estoy aquí, resucitando
Gracias doy a la desgracia y a la mano con puñal
Porque me mató tan mal
Y seguí cantando
Cantando al sol como la cigarra
Después de un año bajo la tierra
Igual que el sobreviviente
Que vuelve de la guerra
Tantas veces me borraron, tantas desaparecí
A mi propio entierro fui sola y llorando
Hice un nudo en el pañuelo, pero me olvidé después
Que no era la única vez
Y seguí cantando
Cantando al sol como la cigarra
Después de un año bajo la tierra
Igual que el sobreviviente
Que vuelve de la guerra
Tantas veces te mataron, tantas resucitarás
Cuántas noches pasarás desesperando
Y a la hora del naufragio y la de la oscuridad
Alguien te rescatará
Para ir cantando
Cantando al sol como la cigarra
Después de un año bajo la tierra
Igual que el sobreviviente
Que vuelve de la guerra

Mercedes Sosa

Liberdade

Liberdade, que estais no céu…
Rezava o padre-nosso que sabia,
A pedir-te, humildemente,
O pio de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.

Liberdade, que estais na terra…
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração. 

Até que um dia, corajosamente,
Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,
Saborear, enfim,
O pão da minha fome.
Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome.


Miguel Torga


Solo le pido a Dios

Solo le pido a Dios
Que el dolor no me sea indiferente
Que la reseca muerte no me encuentre
Vacía y sola sin haber hecho lo suficiente
Solo le pido a Dios
Que lo injusto no me sea indiferente
Que no me abofeteen la otra mejilla
Después que una garra me arañó esta suerte
Solo le pido a Dios
Que la guerra no me sea indiferente
Es un monstruo grande y pisa fuerte
Toda la pobre inocencia de la gente
Es un monstruo grande y pisa fuerte
Toda la pobre inocencia de la gente
Solo le pido a Dios
Que el engaño no me sea indiferente
Si un traidor puede más que unos cuantos
Que esos cuantos no lo olviden fácilmente
Solo le pido a Dios
Que el futuro no me sea indiferente
Desahuciado está el que tiene que marchar
A vivir una cultura diferente
Solo le pido a Dios
Que la guerra no me sea indiferente
Es un monstruo grande y pisa fuerte
Toda la pobre inocencia de la gente
Es un monstruo grande y pisa fuerte
Toda la pobre inocencia de la gente
Es un monstruo grande y pisa fuerte
Toda la pobre inocencia de la gente

Mercedes Sosa



Canção dos Abraços


São dois braços, são dois braços
Servem p'ra dar um abraço
Assim como quatro braços
Servem p'ra dar dois abraços
São dois braços, são dois braços
Servem p'ra dar um abraço
Assim como quatro braços
Servem p'ra dar dois abraços
E assim por ai fora
Até que quando for a hora
Vão ser tantos os abraços
Que não vão chegar os braços
Vão ser tantos os abraços
Que não vão chegar os braços
Pra os abraços
Vão ser tantos os abraços
Que não vão chegar os braços
Pra os abraços

Sérgio Godinho


Só ouve o brado da terra

Só ouve o brado da terra quem dentro dela
Veio a nascer agora é que pinta o bago
Agora é qu'isto vai aquecer
Cala-te ó clarim da morte que a tua sorte
Não hei-de eu querer
Mal haja a noite assassina e quem domina
Sem nos vencer
Cobrem-se os campos de gelo já não se ouve
O galo cantor andam os lobos à solta
Pega no teu cajado, pastor
Homem de costas vergadas de unhas cravadas
Na pele a arder é minha a tua canseira
Mas há quem queira ver-te sofrer
Anda ver o Deus banqueiro
Que engana à hora e que rouba ao mês
Há milhões no mundo inteiro
O galinheiro é de dois ou três

José Afonso


Dr. Salazar

Era proibido
conviver

Era proibido
viver

Era proibido
ser feliz

Só se podia
poupar
e gastar
mal gasto

Os vinhos
e os perfumes
não se usavam
apodreciam
nas garrafas

Ele era
o nosso pai
e o nosso padrasto

Ele morreu

E em herança
deixou-nos
mais pobres

Deixou-nos
o medo
de ser pobres

Somos mesquinhos
e picuinhas

Adília Lopes


Queda do império

Perguntei ao vento
Onde foi encontrar
Mago sopro encanto
Nau da vela em cruz
Foi nas ondas do mar
Do mundo inteiro
Terras da perdição
Parco império mil almas
Por pau da canela e mazagão.
Pata de negreiro
Tira e foge à morte
Que a sorte é de quem
A terra amou
E no peito guardou
Cheiro da mata eterna
Laranja, Luanda sempre em flor.
Pata de negreiro
Tira e foge à morte
Que a sorte é de quem
A terra amou
E no peito guardou
Cheiro à mata eterna
Laranja, Luanda sempre em flor.
Perguntei ao vento
Onde foi encontrar
Mago sopro encanto
Nau da vela em cruz
Foi nas ondas do mar
Do mundo inteiro
Terras da perdição
Parco império mil almas
Por pau da canela e mazagão.
Pata de negreiro
Tira e foge à morte
Que a sorte é de quem
A terra amou
E no peito guardou
Cheiro da mata eterna
Laranja, Luanda sempre em flor.

Vitorino Salomé



Liberdade

Sobre esta página escrevo
teu nome que no peito trago escrito
laranja verde limão
amargo e doce o teu nome.

Sobre esta página escrevo
o teu nome de muitos nomes feito água e fogo lenha vento
primavera pátria exílio.

Teu nome onde exilado habito e canto mais do que nome: navio
onde já fui marinheiro
naufragado no teu nome.

Sobre esta página escrevo o teu nome: tempestade.
E mais do que nome: sangue. Amor e morte. Navio.

Esta chama ateada no meu peito
por quem morro por quem vivo   este nome rosa e cardo
por quem livre sou cativo.

Sobre esta página escrevo o
teu nome: liberdade.

Manuel Alegre

E depois do adeus

Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz
Em silêncio, amor
Em tristeza enfim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder
Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci
E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei
E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficamos sós
La la la la la la

Paulo de Carvalho

A cantiga é uma arma

a cantiga é uma arma
eu não sabia
tudo depende da bala
e da pontaria
tudo depende da raiva
e da alegria
a cantiga é uma arma
de pontaria

há quem cante por interesse
há quem cante por cantar
há quem faça profissão
de combater a cantar
e há quem cante de pantufas
para não perder o lugar

O faduncho choradinho
de tabernas e salões
semeia só desalento
misticismo e ilusões
canto mole em letra dura
nunca fez revoluções

a cantiga é uma arma
(contra quem?)
Contra a burguesia
tudo depende da bala
e da pontaria
tudo depende da raiva
e da alegria
a cantiga é uma arma
de pontaria

Se tu cantas a reboque
não vale a pena cantar
se vais à frente demais
bem te podes engasgar
a cantiga só é arma
quando a luta acompanhar

Uma arma eficiente
fabricada com cuidado
deve ter um mecanismo
bem perfeito e oleado
e o canto com uma arma
deve ser bem fabricado

Grupo de Acção Cultural - Vozes na Luta


Grândola Vila Morena

Grândola, Vila Morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, Vila Morena

Em cada esquina, um amigo
Em cada rosto, igualdade
Grândola, Vila Morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, Vila Morena
Em cada rosto, igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola, a tua vontade

Grândola, a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade


José Afonso

terça-feira, 14 de abril de 2026

Concerto "Filipe Cerqueira acompanha..." - Notas ao programa

Programa

Joaquim Gonçalves dos Santos​

Erat lux vera​ - 4º Andamento de Prologus: ​ Seis impressões musicais do Evangelho de São João

Ao Piano, e ao longo de todo o concerto - Filipe Cerqueira

Johann Sebastian Bach​
1º Andamento da Sonata em Mi menor​ - BWV 1034 
No violoncelo - Dominika Miecznikowska​
​Na flauta - Ana Miranda

Johann Sebastian Bach​

Aria: "Esurientes implevit bonis"​ - Número 9 de Magnificat, BWV 24
Nas flautas transversais - Catarina Esteves e Vera Jesus
No canto - mezzo-soprano Joana Valente

Esurientes implevit bonis et divites dimisit inanes.

Tradução livre:
Encheu de bens os famintos,
Despediu vazios os ricos.

Jean-Baptiste Singelée​

1º Andamento de Duo Concertant, obra 55

No saxofone soprano - Miriam Aneiros
No saxofone alto - Lúcio Monteiro

Nicolau Medina Ribas​

Souvenir d'Amitié - Obra 35
No violino - Eliseu Silva

Joe Garland - In the mood
George Gershwin - Summertime

No clarinete baixo - Luís Filipe Santos
No trompete - Carlos Nunes
No saxofone - Lúcio Monteiro

Serguei Rachmaninoff 

Dream ​[Sonho] - Peça número 5 da Obra nº 8

No canto - soprano Mónica Lacerda

Tradução livre para inglês:

I too had a native land,
Which was so beautiful!
A fir tree swayed over me there...
But that was a dream!

A clan of friends still lived then,
Surrounding me on all sides
And speaking words of love to me...
But that was a dream! 

Ângela da Ponte​

Macrophylla III a ​

Versão para quatro mãos e electrónica

Ao piano - Anastacia Poustovgar
Na electrónica - Ângela da Ponte

Alunos e figurantes, em representação do Projecto Canto do Conto:

Carlota Gregório
Maria João Abreu
Victoria Lourenço


Biografia do pianista Filipe Cerqueira


    Mestre em Interpretação Artística, bem como em Ensino de Piano, pela Escola Superior de Música e das Artes do Espectáculo (Porto). Foi bolseiro de mérito pelo Instituto Politécnico do Porto.

    Estudou Piano e Música de Câmara com, entre outros: Constantin Sandu, Galina Eguiazarova, Jaime Mota, João Paulo Santos, László Baranyay, Luiz de Moura Castro, Pedro Burmester, Teresa Xavier, Zoltán Kocsis

   Apresenta 15 anos de experiência pedagógica no ensino de Piano, tendo exercido docência em diversas escolas do Ensino Artístico Especializado de Música. Encontra-se actualmente a leccionar no Conservatório de Vila Real (CVR) e na Academia de Música Valentim de Carvalho.

    É correpetidor residente dos seguintes agrupamentos vocais: Ensemble Vocal Pro Musica, Chorum dei Lætitia, Coro da Ópera na Academia e na Cidade, Coral Infantil da Universidade do Porto

    Trabalhou sob a direcção de diversos Maestros, entre eles: Andreas Spering, Carlos Tavares, Fernando Marinho, José Ferreira Lobo, José Manuel Pinheiro, Manuel Martínez Álvarez-Nava, Pedro Teixeira, Stefan Blunier

    Fez parte das duas primeiras edições do Colóquio Interartes de Literatura Africana e Brasileira "Tinha Paixão" organizado no Porto por alunos da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Colaborou com o Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa na divulgação da obra para piano solo do compositor português Joaquim Gonçalves dos Santos, sobre o qual se encontra a realizar um trabalho de investigação do âmbito de Doutoramento em Ciências da Cultura pela Universidade do Minho.

    Criou no ano lectivo 2025/2026 o projecto "Canto do Conto" no CVR, através do qual promove, junto de alunos do CVR com idades compreendidas entre os 12 e os 16 anos de idade, a leitura e análise de obras literárias cuja temática esteja relacionada com a arte musical, fomentando assim a troca de ideias sobre música e sobre livros e a criação artística interdisciplinar. 

Biografia da escritora Madalena Nogueira dos Santos


    Madalena Nogueira dos Santos, natural da Maia, nasceu em Maio de 1987, licenciou-se na Faculdade de Direito da Universidade do Porto, é Mestre em Direito da Empresa e Negócios na Faculdade de Direito da Universidade Católica do Porto, Pós-Graduada em Direito Imobiliário e é Advogada. E como livros significam-lhe muito, fundou e é coordenadora da Biblioteca da freguesia de Nogueira e Silva Escura.

    Publicou quatro romances histórico-fantásticos, pela editora ASA/Dom Quixote: O Décimo Terceiro Poder (2006), A Coroa de Sangue (2007), As Tribos do Sul (2009) e Os Doze Reinos (2010), sendo que este entrou diretamente no TOP 10 d'Os Mais Vendidos Fantástico & FC da FNAC, onde se manteve por quatro semanas consecutivas. Publicou um conto na Antologia de Ficção Científica Fantasporto 2012. Desde então vem dedicando-se aos bastidores da organização de eventos e à promoção da leitura e escrita, em vários formatos.

    Nas edições anuais de 2006 a 2009, foi Júri do Concurso Literário promovido pela Câmara Municipal da Maia, que contou com participações internacionais em crescendo. Em 2009, foi Júri do I Concurso “Novos Talentos Literários” organizado pela Federação Académica do Porto, em conjunto com o escritor Richard Zimler, e mais uma vez em 2010, em parceria com a Dra. Joana Matos Frias, docente da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

    Em 2019, viu o seu libreto de ópera contemporânea “La Meccanica del Colore” a ser selecionado entre cerca de 40 candidatos internacionais e a estrear na Bienal de Veneza. A música que acompanha a sua escrita é da autoria do compositor Nuno Costa. Esta foi a primeira vez em 63 edições do festival de música contemporânea da Bienal de Veneza em que uma ópera escrita e composta por Portugueses subiu ao palco da mais reputada exposição internacional de arte.

    É mãe de dois filhos, de modo que agora lê dois a quatro livros por noite, antes de adormecer entre contos de fadas e super-heróis.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Resumo da Comunicação apresentada a 8 de Dezembro de 2025 no X Encontro da EPTA - Portugal

     Esta proposta de apresentação decorre do trabalho de investigação desenvolvido no âmbito do Doutoramento em Ciências da Cultura que o autor realiza na Escola de Letras, Artes e Ciências Humanas da Universidade do Minho, sob orientação de Ricardo Barceló.

     O objecto de estudo deste Doutoramento centra-se no conjunto da obra com piano do padre e compositor Joaquim Gonçalves dos Santos (1936–2008) que abrange repertório de música de câmara, a solo e de piano com orquestra.     

  A presente comunicação propõe uma análise de influências literárias em composições incluídas no referido repertório. Por um lado são abordadas obras musicais inspiradas em textos de escritores portugueses que tiveram, tal como o compositor, a Serra enquanto elemento da Natureza com presença na sua vivência criadora artística, como Miguel Torga e Sebastião da Gama. Por outro, são abordadas obras musicais que reflectem um espírito ecuménico do compositor, evidenciado pelo tratamento de textos sagrados católicos e de poesia de Rabindranath Tagore.     

     Esta abordagem não só contribui para uma compreensão mais profunda da estética musical de Joaquim Gonçalves dos Santos, como também revela o desafio de, através de uma perfomance pianística informada, abrir caminho para uma interpretação capaz de revelar conteúdo musical e extra-musical.

Material de suporte à Comunicação oral: